Homem é condenado a 20 anos de prisão por esquema de hacking que teve Jung Kook, do BTS, entre os alvos
Organização criminosa usava dados pessoais para abrir linhas telefônicas em nome das vítimas e acessar contas financeiras; tentativa envolvendo o integrante do BTS mirou 8,4 bilhões de won em ações da HYBE.

Um cidadão chinês foi condenado a 20 anos de prisão por liderar um esquema internacional de hacking e roubo de identidade que teve Jung Kook, do BTS, empresários e executivos sul-coreanos entre os alvos. A sentença foi determinada em primeira instância pelo Tribunal Distrital Central de Seul em 20 de agosto, após o homem ser julgado por acusações que incluem fraude e violações da legislação sul-coreana relacionada a redes de informação.
O réu, identificado pela imprensa apenas pelo sobrenome Jeon, transliterado como Chun em algumas publicações em inglês, foi apontado pela Justiça como responsável pela liderança do grupo. Segundo a Yonhap, a organização teria obtido mais de 38 bilhões de won em ativos das vítimas, valor equivalente a aproximadamente US$ 27 milhões na cotação utilizada pela agência de notícias no dia da sentença.
Jung Kook aparece no processo como um dos alvos do esquema, mas existe uma diferença importante entre o que aconteceu com o integrante do BTS e as perdas atribuídas ao grupo criminoso como um todo. Segundo informações divulgadas pela Yonhap, os responsáveis tentaram retirar do artista ações da HYBE avaliadas em aproximadamente 8,4 bilhões de won. A BigHit Music identificou a movimentação e adotou medidas para impedir que a tentativa resultasse em perda financeira efetiva para Jung Kook.
Como funcionava o esquema
A investigação mostrou uma operação mais complexa do que o simples acesso indevido a uma conta. De acordo com a Justiça sul-coreana, o grupo atuava a partir do exterior, inclusive da Tailândia, e reunia ilegalmente informações pessoais de vítimas consideradas financeiramente atraentes. O período investigado começou em agosto de 2023 e se estendeu até janeiro de 2025, segundo a Yonhap.
Com os dados obtidos, integrantes da organização conseguiam ativar linhas de telefonia móvel em nome das vítimas sem autorização. Reportagens da imprensa coreana detalham que o esquema permitia interceptar mensagens e códigos de autenticação utilizados por serviços financeiros. A partir dessas informações, os criminosos conseguiam acessar contas bancárias, corretoras e plataformas de negociação de criptoativos.
A investigação também apontou que os alvos eram escolhidos deliberadamente de acordo com seu patrimônio. Além de Jung Kook, aparecem entre eles presidentes e executivos de grandes empresas, influenciadores e investidores em criptoativos. A Yonhap informou que foram identificados como alvos oito presidentes, representantes ou CEOs de empresas, um executivo, três celebridades ou influenciadores e três investidores do mercado de criptoativos.
O tribunal considerou essa seleção das vítimas um dos elementos relevantes na avaliação do caso. Ao anunciar a sentença, afirmou que o réu procurava pessoas com grande patrimônio para retirar seus ativos e observou que as vítimas perderam o controle sobre seus bens sem terem contribuído para a fraude, diferentemente de situações em que criminosos convencem uma pessoa a fornecer voluntariamente informações durante golpes de phishing. A corte também apontou que o condenado não demonstrou arrependimento genuíno.
Jung Kook já havia sido identificado como vítima
O caso envolvendo Jung Kook não se tornou público somente agora. Informações sobre a tentativa de transferência de suas ações da HYBE já haviam surgido durante as investigações. O desenvolvimento desta semana foi a condenação em primeira instância do homem considerado pela Justiça responsável pela liderança da organização.
Segundo a investigação, os criminosos teriam tentado utilizar os dados pessoais do integrante do BTS para movimentar ações avaliadas em 8,4 bilhões de won. A imprensa coreana informou que o caso aconteceu durante o período em que Jung Kook cumpria o serviço militar obrigatório. O cantor iniciou o serviço em dezembro de 2023 e foi dispensado em junho de 2025.
A dimensão financeira do esquema também precisa ser separada do caso individual do artista. Os mais de 38 bilhões de won mencionados na sentença correspondem aos ativos atribuídos às diferentes vítimas do grupo criminoso, e não ao patrimônio retirado de Jung Kook. No caso do integrante do BTS, a informação confirmada é a tentativa envolvendo 8,4 bilhões de won em ações da HYBE, sem prejuízo financeiro final registrado pelas fontes consultadas.
Líder foi localizado na Tailândia
A investigação ultrapassou as fronteiras da Coreia do Sul. A polícia sul-coreana trabalhou com a Interpol para localizar o suspeito, que foi preso na Tailândia em maio de 2025. Meses depois, em agosto, autoridades sul-coreanas realizaram sua repatriação para a Coreia do Sul. Ele foi formalmente detido e denunciado pela promotoria em setembro daquele ano.
Durante o julgamento, a defesa sustentou que outra pessoa seria o verdadeiro líder da organização. O tribunal rejeitou a alegação e afirmou não ter encontrado evidências da existência desse suposto responsável. Entre os elementos utilizados para identificar Jeon como líder estavam registros de comunicação com outros envolvidos, informações armazenadas em dispositivos apreendidos e a movimentação de parte dos recursos obtidos pelo grupo para carteiras de criptomoedas associadas a ele.
Ao justificar a pena de 20 anos, o tribunal também classificou a operação como um crime grave capaz de atingir não somente as vítimas individualmente, mas a segurança do sistema financeiro sul-coreano. A sentença anunciada em 20 de agosto corresponde à decisão da primeira instância judicial.